Direitos Humanos: Ativismos e Novos Direitos

DIREITOS HUMANOS E A POTÊNCIA DO NÚMERO 7
(para místicos de todos os tipos e times 😉 )
Em 1967, em plena ditadura militar, o Grupo Oficina de Zé Celso e muitos encenava O Rei da Vela de Oswald de Andrade. Dez anos depois, o Asdrúbal Trouxe o Trombone de Hamilton Vaz Pereira e muitos montava seu Trate-me Leão. Cinquenta anos depois, em 2017, o “Rei da Vela volta a ser encenado. Não se trata de mera resistências dialéticas e sim de insistências em seguir criando novas linguagens, seguir criando novas linhagens, seguir criando… E o que isso tem a ver com direitos humanos?
Tendemos a perceber com facilidade as mudanças no campo da arte e da cultura, assim como seus reflexos imediatos nos modos de vida, mas parece que temos tcerta dificuldade em perceber mudanças no campo do Direito, talvez por dele esperar a produção de uma justiça imutável, inabalável. Ora, em termos de direitos, tivemos a oportunidade de viver um ciclo virtuosíssimo justamente por causa da possibilidade de transformá-los. Foi essa possibilidade que mobilizou movimentos sociais do Brasil inteiro para pressionar a Assembléia Constituinte em 1987 e, sobretudo, para prosseguir apropriando-se da Constituição nascida em 1988, adequando-a às suas lutas. Nada é perfeito, nada é fácil, mas tudo pode ser transformado, mesmo no atual ciclo vicioso.
Desde 2013, vivemos momentos intensos de criminalização das novas organizações políticas, de punitivismo nas ruas e de linchamentos nas redes, de uma judicialização da política imediatamente proporcional à repressão da politização da justiça, de brigas de foice entre os três poderes quase todos podres, de “é proibido proibir” muito pelo contrário, entre outros fenômenos doidos de acompanhar e entender… Em 2017, temos direito e dever de seguirmos “ligados” repensando o legado de 1967, 1977… 1987! O que as artes daqueles momentos nos deram não foi o conforto dos cercadinhos ideológicos límpidos e limpinhos, servis, na casa da Paulinha ou na manifestação arrumadinha. O que elas nos deram foi arte enquanto potência disruptiva que faz da desobediência seu princípio e processo de criação. E, mais uma vez, o que isso tem a ver com direitos humanos?
Na próxima quarta-feira teremos com Priscila Prisco Pedrosa e Luiz Felipe Teves, a 7a aula do CURSO MULTIDOCENO. Será uma aula sobre Direitos Humanos, ou melhor, sobre como ampliar e renovar a própria noção de DH e terá como autores Antonio Negri e Joaquim Herrera Flores. O primeiro é bibliografia obrigatória com sua necessária crítica ao formalismo jurídico. O segundo, mais do que uma bibliografia acadêmica é uma biografia viva, infelizmente curta e cujo legado nos cabe alongar fazendo-nos pensar os direitos humanos pelo viés cultural, isto é, de um Direito conectado às lutas e aberto a uma contínua e viva criação de direitos.
Mais infos: https://www.facebook.com/events/1986295764960380/


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