Mobilidade e mobilização

Mobilidade e mobilização

No capitalismo contemporâneo, caracterizado pelas redes (globalização), pelo valor intangível (cognitivo) e a governança financeira (financeirização), as metrópoles podem ser vistas como o novo espaço de valorização e investimento. Não se trata mais apenas de “máquinas urbanas” que se tornam “globais” para seduzir as grandes empresas multinacionais e as “classes criativas” definidas pelo jargão da “empregabilidade” e do mercado, mas da própria mobilização produtiva do território, onde as empresas são cada vez mais terciárias (serviços) e o trabalho é cada vez mais uma prestação de serviço. É de uma mutação do papel e da configuração das metrópoles que ao mesmo tempo é determinada pelas transformações mais gerais do regime de acumulação e por sua vez determina e qualifica o tipo de inserção nesse regime.

Esse regime de acumulação corresponde a um processo de valorização no qual, por um lado, o trabalho se torna crescentemente imaterial (linguístico, afetivo, comunicativo) e, por outro, são as dinâmicas mesmas da informação e comunicação que se tornam produtivas, seja no âmbito das redes eletrônicas, seja nas redes difusas nos territórios.

É assim que os espaços de produção são desenhados pelas redes virtuais do trabalho imaterial, potencializadas pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs), que constituem a metrópole como lugar de produção por excelência, que deve ser compreendida em sua especificidade.O esquema de leitura crítica do contexto urbano se relaciona de maneira complexa com as lutas e as demandas que orientam as escolhas dos atores. Já que suas opções são afetadas pelas condições e o ambiente dos agenciamentos e da capacidade autônoma de definição de projeto (no sentido emancipatório), com suas redes de conhecimento teórico e prático. Através das quais se organiza a possibilidade de uma proposta de produção de uma lógica potencialmente contra-hegemônica, no plano das tecnologias urbanas e, do chamado interesse orientado pela função social da propriedade como esta definida na Constituição Brasileira e no Estatuto da Cidade. Junho de 2013 mostrou a pujança constituinte dessas demanda e a emergência de uma nova composição social, capaz de fazer da metrópole o espaço não apenas do trabalho mas também das mobilizações de novo tipo.

Nosso suposto é que um novo bloco social e técnico pode criar um potencial para a formulação de propostas concretas cujo avanço e concretização vai depender da organização de espaços de autonomia das populações nos diferentes lugares. De modo a que possam afirmar horizontes individuais e coletivos para outros usos possíveis dos territórios urbanos. Na direção da produção diferenciada e policentrada de espaços no âmbito da nossa megalópole.

As modulações e variações do poder via os discursos e a prática da arquitetura e do urbanismo devem ser avaliados a partir da leitura crítica sistematizada das (quase) políticas espaciais que se propagam atualmente, percebendo seus ritmos e avaliando seus impactos. Organizando os mapas que permitam atuar sobre os vetores definidores da quantidade e da qualidade em que se dá a ação consciente na disputa entorno do desenho da intervenção urbana. Devemos identificar o que afeta o poder de distribuição, de circulação, de uso da produção social do espaço nas suas múltiplas formas, de modo a podermos pensar e agir no quadro geral do habitar na cidade

Vamos então colocar o lugar como cristalização das formas da reprodução social do cotidiano, e para isso contaremos com:

Leandro Carmelini (ECO/UFRJ)
Arlindo Pereira (Cicloativista)
Carlos Meijureiro (integrante de Norte Comum e escritor)
Cunca Bocayuun (NEPP-DH/UFRJ)
Valeria Pero (IE/UFRJ)
Belchior (MPL Rio)


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