Recontar platôs

DELEUZE + GUATTARI – Recontar Platôs
(curso livre e gratuito)

“Mundo sombrio, deserto que se expande: uma máquina solitária ronca na praia, uma fábrica atômica instalada no deserto.” – D&G

EMENTA
A obra “Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia” é um dos mais instigantes e desafiadores trabalhos teóricos resultantes da parceria entre o filósofo Gilles Deleuze e o psiquiatra e psicanalista Felix Guattari. Publicado em 1980, como segundo volume do “Anti-Édipo” (1972). Tem-se por objetivo propiciar um espaço de vitaminação de métodos e práticas a partir do impulso criativo deleuze-guattariano, que permite problematizar, sob os mais diversos ângulos, a formulação de problemas éticos, políticos ou estéticos dentro da crise do capitalismo. Reler “Mil Platôs” em 2018 significa, sobretudo, interrogar o nosso presente com base na ativação de linhas de fuga para os impasses, aporias e paradoxos que têm tornado a ação criativa, minoritária, artística e ativista (tudo misturado) um permanente desafio em escala local, nacional e global.

ONDE: Casa de Rui Barbosa (Rio de Janeiro)
Rua São Clemente, 134 – Botafogo (do lado do metrô)
Auditório Principal (andar inferior)

QUANDO: Todas as terças-feiras de 20/2 a 10/4/2018, 18-20h.
(total de oito sessões)

CURSO GRATUITO / — vagas limitadas —
inscrições por e-mail apenas:
praiasdaimanencia@gmail.com
(informar nome e formação, se houver)

CERTIFICADO: Será concedido pela Casa de Rui Barbosa (instituto federal vinculado ao MINC) aos alunos que completarem 5 das 8 aulas.

PROGRAMA
20/2/18 – Introdução a Deleuze e Guattari, Mil Platôs
27/2/18 – Platô 1 – Manifesto Rizoma
06/3/18 – Platô 2 – Adeus à psicanálise
13/3/18 – Platô 4 – Para pôr fim ao julgamento de Deus
20/3/18 – Platô 5 – Semióticas aberrantes
27/3/18 – Platô 3 – Quem a Terra pensa que é?
03/4/18 – Platô 14 – O novo nomos da Terra
10/4/18 – Platô 15 (conclusão) – Máquinas abstratas

PREMISSA
No final da década de 2010, os impasses e problemas se multiplicam e se aprofundam. De um lado, uma atitude supercrítica procura incessantemente denunciar os mecanismos totalitários de controle pervasivo do real e do social, numa espécie de dever moral em identificar o poder onde quer que ele se exerça e suscite efeitos. Do outro lado, a aquiescência resignada ao presente alterna atitudes existenciais entre a ironia pós-moderna que reduz os problemas ao indiferenciado e certo senso barroco de fado, que ora se reflete num desesperado tom festivo, ora numa lamentação interminável. No primeiro caso, a crítica do sistema tende a identificar-se com a sensação de inutilidade da própria crítica, tragada no Espetáculo Totalitário em que a verdade não passa de um momento do falso. A verdade se iguala à pós-verdade e a batalha de narrativas é convertida em mera instrumentalização de uma vontade de Sujeito. É-se desarmado e entregue, assim, à dialética do menos pior: ou eu, ou o dilúvio! No segundo caso, a submissão ao jogo de forças reduz a ação ética ou estética à aceitação das representações dadas, no horizonte do fim da história. Como não há mais jeito, tudo se resolve num jogo que se compraz da própria fatuidade, num dionisismo de bolso. O resultado global dessa equação perversa é um duplo impasse, um duplo entrincheiramento centrípeto, um ‘double bind’ entre a melancolia do pós-sujeito e o furor restaurativo daqueles que apostam nos fanatismos da vez, em valores firmes, a territorialização das identidades essencializadas, os grilhões dos lugares de fala, os microtribunais e microdelegacias por todo lado (o “policial interior” de Foucault, o Nova Control de Burroughs). Entre o multiculturalismo e o populismo, entre fascismos das mais variadas colorações ideológicas, entre a anulação das oposições em nome da diversidade das belas almas e a reafirmação de binarismos duros de um passado inexistente, hoje as camisas de força são mentais. O livro-rizoma Mil Platôs é reativado, nesse estado de coisas, no intuito de contribuir para o deslocamento do inferno das conjunturas, para a reabertura do que se apresenta como divisão policial do dizível e do sensível, em busca de novas linhas de teoria e prática. Para repercorrer em diagonal as forças inconjunturais, no avesso dos dilemas, reconduzindo as questões à gênese de devires e linhas de fuga, evitando a todo custo recair em dicotomias normativas que mobilizam os referenciais teóricos somente para desenhar caminhos de salvação (a micropolítica, o molecular, o múltiplo etc) ou de perdição (o inverso).. Não se trata disso, de inflamadas parafernálias conceituais recheadas de estilemas e rebuscamentos, pois Mil Platôs é um livro de sobriedade. O múltiplo não é nem está dado: ele se faz, e se faz por subtração, rarefação e desertificação. Nada mais distante do referencial proposto do que loas ao rizomático, pois da proliferação de devires e extravasamentos esquizos não se pode concluir que estejamos à altura dessas forças, nem que possamos enxergá-las e muito menos contar com elas para a criação. Para isso, é preciso fazer, e a filosofia é um fazer, filosofia prática, levada à imanência, à multidão, ao nomadismo, para então renovar-se e estimular novos ataques e ressonâncias. Para instaurar métodos e práticas capazes de constituir outra Ética e outra Estética. Que provoquem, ainda que de maneira precária e parcial, a vivência plena de impasses e problemas, que possibilitem que voltemos a viver *politicamente*, isto é, com toda a força de nosso desejo.

PROFESSOR: Bruno Cava. Pesquisador associado à Rede Universidade Nômade (www.uninomade.net), pesquisa há cerca de 10 anos movimentos e lutas urbanas, é mestre em filosofia do direito pela UERJ, graduado em direito e engenharia (UERJ e ITA), autor de “A multidão foi ao deserto” (AnnaBlume, 2013), coeditor da Revista Lugar Comum, e publica artigos em diversos sites, periódicos e revistas, como Chimère, Multitudes, The Guardian, Le Monde Diplomatique, Alfabeta2, Al Jazeera, South Atlantic Quarterly, Direito e Práxis. Ministrou o Curso “Marx + Deleuze – capitalismo e subjetividade” em três edições, duas no Museu da República (2015 e 2016) e uma na Casa de Rui Barbosa (2016.2), além de cursos sobre Guattari, Bergson e cinema, na Cinemateca do MAM e noutros espaços culturais do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.

ORGANIZAÇÃO:
– Coletivo MIL BRECHAS (https://medium.com/mil-brechas)
– Mauricio Siqueira (Fundação Casa de Rui Barbosa)
– Renata Crisóstomo – Designer e Co-Org.
– Dr. Fabricio Toledo – Coordenador Acadêmico

APOIOS:

Fundação Casa de Rui Barbosa
http://www.casaruibarbosa.gov.br/

Coletivo Kinodeleuze
https://medium.com/kinodeleuze

Rede Universidade Nômade
http://www.uninomade.net/


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