Para além da opressão: a potência da precariedade.

 

Educação popular: em 2017, por Silvio Munari

(Sílvio Munari é pedagogo, com doutorado em educação pela Ufscar, e vem pesquisando as relações entre educação, pedagogia e diferença no contemporâneo)


Bom, o que me levou a São Luís foi a apresentação de um trabalho acadêmico. Chamei o texto de “Para além da opressão: a potência da precariedade”.
O título é infeliz, reconheço, mas queria dar um jeito de colocar em perspectiva as muitas versões da “pedagogia do oprimido” que circulam entre os movimentos progressistas e que funcionam um pouco no automático, apenas aplicando alguns conceitos e metodologias para leitura e intervenção da/na realidade.
Quis, principalmente, trazer para este âmbito um debate que retomasse as Jornadas de Junho naquilo que tem de potência, em alguma medida desviando das leituras simplistas que as vêem com o momento em que o ovo da serpente eclodiu. Ao mesmo tempo, não quis apenas debater o que a educação popular pode “aprender com junho”, mas o que “junho pode aprender” com a educação popular.
A princípio foi um pouco estranho, desconfortável, porque: 1) essa leitura de Junho era muito esquisita para o contexto (inclusive para o evento como um todo); 2) porque a, digamos, “temática da precariedade” não habitava esse universo; 3) porque as leituras feitas da educação popular parecem aplicar conceitos ou fórmulas que funcionam bem em contextos semelhantes àqueles em que foram criados (por exemplo, os trabalhos em comunidades eclesiais de base).
Ao longo do evento, entretanto, outras atividades falaram sobre as redes de lutas globais, a precariedade (não apenas como precarização do trabalho) e, em menor medida, as Jornadas de Junho. Inclusive o minicurso que fiz no GT de Educação Popular (onde apresentei o trabalho), e que discutiu a sua internacionalização, retomou suas gêneses nômades, transnacionais.
Deixo o link para o texto no academia.edu: https://goo.gl/rfXWYT


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