A década pós-olímpica: revisitando os “Legados Urbanos” no Rio de
Coordenação: Clarissa da Costa Moreira Pesquisadores: Guilherme Rodrigues, Clarissa Moreira, Beatriz Corbacho O Rio de Janeiro foi palco de.
A rede Universidade Nômade é uma rede transnacional, que se compõe de militantes, intelectuais, artistas, grupos de pesquisa, coletivos, ativistas de cursinhos pré-vestibulares populares, blogues, e pontos em geral dispersos em redes sociais, produtivas e colaborativas. Todos os textos são de responsabilidade dos autores.
Este eixo investiga a cidadania não apenas como estatuto jurídico ou princípio normativo, mas como uma relação material, técnica e territorial, inscrita em infraestruturas, serviços, protocolos e formas de organização do espaço. Partindo do conceito de isonomia — entendido como equilíbrio de forças e circulação da autoridade —, a pesquisa propõe uma leitura da democracia como uma física política: um regime que se realiza concretamente nas condições materiais que permitem ou bloqueiam o exercício da cidadania.
A partir de uma genealogia que atravessa a pólis grega, a civitas romana e as formações urbanas modernas, o eixo analisa como diferentes modelos de cidade, de infraestrutura e de institucionalidade produzem formas específicas de pertencimento, exclusão e desigualdade. Nesse percurso, a cidadania deixa de ser pensada como atributo abstrato do sujeito e passa a ser compreendida como experiência situada, mediada por serviços públicos, redes técnicas, sistemas logísticos e dispositivos administrativos. O cidadão emerge, assim, como usuário, operador e corpo atravessado por fluxos — de energia, informação, mobilidade, água, moeda e direitos.
Um dos núcleos centrais do eixo é o estudo dos protocolos — entendidos simultaneamente como procedimentos técnicos e normas institucionais. A pesquisa demonstra como protocolos médicos, diplomáticos, jurídicos, digitais e de segurança ocupam uma posição intermediária entre técnica e direito, operando como formas de governo do risco, da circulação e da ação coletiva. Ao longo do eixo, os protocolos são analisados tanto em sua dimensão histórica e conceitual quanto em seus desdobramentos contemporâneos, especialmente no contexto da automação, da algoritmização e da crescente dependência de infraestruturas digitais.
As investigações do eixo se desdobram em análises empíricas e teóricas sobre colapsos infraestruturais, crises urbanas e processos de desdemocratização, com destaque para estudos sobre migração, catástrofes técnico-institucionais e cidades atravessadas por falhas sistêmicas de serviços. Esses cenários-limite tornam visível aquilo que normalmente permanece invisível quando as infraestruturas funcionam: a dependência radical da cidadania em relação aos meios técnicos e institucionais que a sustentam. A ruína, o apagão, a escassez e a interrupção dos fluxos revelam, assim, a materialidade da política.
Como principais resultados, o eixo produziu artigos, relatórios e pesquisas que contribuem para:
Ao articular teoria, genealogia e análise de casos, o Eixo 1 estabelece uma base conceitual decisiva para o projeto Interfaces, oferecendo ferramentas para pensar a democracia contemporânea para além de seus formatos jurídicos formais, ancorando-a nas condições concretas de vida, circulação e pertencimento nos territórios.
Coordenação: Clarissa da Costa Moreira Pesquisadores: Guilherme Rodrigues, Clarissa Moreira, Beatriz Corbacho O Rio de Janeiro foi palco de.


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