A década pós-olímpica: revisitando os “Legados Urbanos” no Rio de
Coordenação: Clarissa da Costa Moreira Pesquisadores: Guilherme Rodrigues, Clarissa Moreira, Beatriz Corbacho O Rio de Janeiro foi palco de.
A rede Universidade Nômade é uma rede transnacional, que se compõe de militantes, intelectuais, artistas, grupos de pesquisa, coletivos, ativistas de cursinhos pré-vestibulares populares, blogues, e pontos em geral dispersos em redes sociais, produtivas e colaborativas. Todos os textos são de responsabilidade dos autores.
Este eixo analisa criticamente as políticas de planejamento estratégico e os grandes projetos de investimento implementados no estado e na metrópole do Rio de Janeiro nas últimas décadas, situando-os no contexto do chamado neodesenvolvimentismo brasileiro e de sua inserção subordinada na economia global. A pesquisa parte da constatação de que, longe de promover desenvolvimento sustentável e integração territorial, esses projetos produziram infraestruturas incompletas, subutilizadas ou socialmente regressivas, deixando como legado territórios fragmentados e marcados por ruínas materiais e institucionais.
O eixo toma como estudo central o Porto de Sepetiba (atual Porto de Itaguaí) e seus desdobramentos logísticos, em especial a construção do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Esses empreendimentos são analisados como expressões de um modelo de desenvolvimento orientado pela circulação global de mercadorias, commodities e capitais, no qual o território é concebido prioritariamente como suporte técnico para fluxos externos. A pesquisa reconstrói o contexto político e institucional desses investimentos, evidenciando a articulação entre Estado, grandes corporações, consultorias internacionais e elites locais na formulação dessas estratégias.
As análises demonstram que tais projetos se apoiaram em premissas frágeis: a superestimação da capacidade do Rio de Janeiro de se afirmar como hub logístico global; a desconsideração das condições reais da hinterlândia regional; e a crença de que grandes obras de infraestrutura seriam, por si só, indutoras de desenvolvimento econômico e social. No caso do Porto de Sepetiba, evidencia-se o descompasso entre o desenho original — voltado para cargas de alto valor agregado — e sua efetiva operação, fortemente dependente do escoamento de commodities minerais, com impactos limitados sobre o desenvolvimento local e metropolitano.
O eixo também analisa os efeitos territoriais e sociais desses projetos, destacando processos de fragmentação urbana, deslocamento de populações, degradação ambiental e precarização das relações de trabalho. Nesse contexto, a noção de ruína urbana é mobilizada não apenas como metáfora, mas como categoria analítica capaz de revelar os efeitos materiais e políticos do fracasso das promessas de modernização. As ruínas tornam visível a distância entre o discurso desenvolvimentista e a experiência concreta dos territórios afetados.
Como resultados, o eixo produziu relatórios, artigos e análises que contribuem para uma crítica fundamentada ao planejamento estratégico como modelo hegemônico, para a compreensão dos limites estruturais do neodesenvolvimentismo fluminense e para a formulação de ferramentas analíticas capazes de pensar desenvolvimento, infraestrutura e metrópole a partir de seus impasses e contradições. Ao articular economia política, história urbana e leitura territorial, o eixo oferece uma contribuição central ao projeto Interfaces, ao mostrar como o desenvolvimento contemporâneo frequentemente reinscreve desigualdades sob novas formas, produzindo territórios marcados pela promessa não cumprida.
Coordenação: Clarissa da Costa Moreira Pesquisadores: Guilherme Rodrigues, Clarissa Moreira, Beatriz Corbacho O Rio de Janeiro foi palco de.
Gerardo Silva e Leonora Corsini Introdução Começaremos esse relato com uma anedota. No ano de 1996 ou 1997 –não é.


→ Acesse a página geral do projeto