O Making da Metrópole no Turbilhão da Crise da Globalização

O Making da Metrópole no Turbilhão da Crise da Globalização

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Sexta, 4 de setembro de 2026

Organização: Cátedra Chico de Oliveira – Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) da UFRJ.

Apoio: CBAE/UFRJ e PPGCOM/UFRJ

Coordenação: Giuseppe Cocco, Felipe Fortes, Carolina Salomão (LABTeC, PPGCOM, UFRJ).

Fomento: Faperj, CNPq

Local: CBAE — 9:00–13:00 / 14:00–18:00

 

Mesa 1 — A Cidade-Floresta | 10:00 – 11:00

A Floresta vai virar Cidade, a Cidade vai virar Floresta

Barbara Szaniecki (Esdi-Uerj)

A cidade vai virar floresta, a floresta vai virar cidade. Diante da crise climática, não basta adjetivar cidades e design como “sustentáveis”: é preciso entender as transformações em curso nos territórios e no próprio design. Se antes a cidade era máquina de produção, hoje pode ser meio de polinização — pela educação, saúde, cultura, arborização e recuperação de solos e rios. Menos competição (modelo animal), mais cooperação (modelo vegetal): um design de meios que, ao entremear territórios e atores, troca “soluções para problemas” por uma ecologia de problemas.

Oficina de Cartografia Coletiva em Paraty: Mudanças climáticas, territórios e sustentabilidade

Mariana Costard (Esdi-Uerj)

As mudanças climáticas provocam impactos cada vez mais frequentes e desiguais sobre os territórios, evidenciando a necessidade de uma educação ambiental capaz de relacionar fenômenos globais às experiências cotidianas — reconhecendo realidades vividas, relações com o território e diferentes formas de habitar e perceber o ambiente. Para apreender essas mudanças e as possibilidades de sustentabilidade em territórios como Paraty, uma oficina de cartografia coletiva foi oferecida a estudantes do Curso Normal do CEMBRA, em parceria com a Casa da Cultura de Paraty.

Jardins em carne viva: o comum como cultivo

Guto Santos (Prourb-UFRJ)

Percorrerei alguns jardins nascidos de fraturas para propor uma distinção entre dois regimes de ação urbana: um que administra a cidade pela norma e outro que a cultiva por confiança. Esses jardins permitem pensar o comum menos como bem a defender do que como modo de agir — e o amor, em chave espinosana, como sua força de composição.

 

Mesa 2 — O Rio de Janeiro no turbilhão da desglobalização | 11:00 – 13:00

A disputa pelo espaço no Rio de Janeiro

William Bueno (UFF e Círculo Laranja)

Quais relações de poder tornaram possível a produção das desigualdades sócio-espaciais no Rio de Janeiro? Analisaremos o histórico das políticas urbanas cariocas e os padrões que moldaram a cidade até hoje, com foco na importação do “Modelo de Barcelona” durante a preparação para os megaeventos e suas implicações para os moradores — até uma abordagem dos movimentos sociais que resistem e produzem alternativas. A discussão busca não só caracterizar as políticas urbanas contemporâneas, mas avançar sobre modelos igualitários e radicalmente democráticos para as metrópoles brasileiras.

Aspiro ao Grande Labirinto: reflexão sobre os descaminhos urbanísticos do Rio de Janeiro no século XXI

Clarissa Moreira (Departamento de Urbanismo da UFF)

Partindo da política urbana carioca baseada em projetos urbanos e planejamento estratégico até a atual privatização do projeto da cidade — passando pelos legados pós-Copa e Olimpíadas e pela tentativa de destruição e “reviver” do Centro —, o objetivo é um balanço dos desafios de hoje frente à fratura social e territorial, às ameaças climáticas e às transformações na produção e no trabalho.

Do you remember… o Porto de Sepetiba?

Gerardo Silva (UFABC)

O título da apresentação se refere ao Porto de Sepetiba (atual Porto de Itaguaí) que, na década de 90, representou uma grande aposta de modernização da infraestrutura e da economia metropolitana do Rio de Janeiro, no marco do planejamento estratégico, mas que acabou representando o fracasso da opção neodesenvolvimentista no Estado na época. Analisam-se as razões desse fracasso e questiona-se até que ponto essas razões continuam vigentes, e o que é possível aprender desse tipo de experiências no making da metrópole atual.

 

13:00 – 14:00 — Pausa Almoço

 

Mesa 3 — A Metrópole como cérebro coletivo | 14:00 – 15:00

O chip e a metrópole: litografia, diagrama e inteligência artificial

Felipe Fortes (PPGCOM-UFRJ)

Trinta anos depois dos planos estratégicos urbanos e megaeventos, a crise das metrópoles globais talvez anuncie não o esgotamento de um modelo de governança, mas a transformação da própria forma urbana. Hipótese: o chip é a miniaturização técnica do problema metropolitano — a litografia eletrônica desenha uma metrópole em escala microscópica, alimentada pela energia, logística e dados da própria cidade. Nessa chave, a inteligência artificial não é tecnologia externa à cidade, mas desdobramento da racionalidade metropolitana.

Entre Baltimore e Nova Orleans: imagens-cidade da crise metropolitana em The Wire e Treme

Luís Felipe Teves (UNIFESO e UNISUAM)

A proposta é pensar como The Wire (2002–2008) e Treme (2010–2013), séries de David Simon, constroem imagens-cidade que refletem a crise metropolitana contemporânea. Em The Wire, Baltimore aparece pelos fios que conectam polícia, tráfico, porto, política e escolas; em Treme, Nova Orleans surge após o Katrina, quando a vida urbana depende da recomposição de vínculos e práticas. As séries convidam a pensar uma ética dos encontros que desloca a crise metropolitana para além da falência institucional.

 

Mesa 4 — A Cidade e a Crise da Democracia | 15:00 – 16:00

Brasil: a importância da cidade para a sua Democracia

Marcelo Burgos (PUC-Rio)

Se a cidade é um artefato fundamental para a construção de uma cultura comum e, no limite, para a conformação de sociedades democráticas, precisamos interpelar seu lugar na vida brasileira dessa perspectiva. Aqui, precisaremos pensar sobre as formas como as experiências urbanas no país são atravessadas por padrões de segregação urbana e violência,  desigualdades e oportunidades, e diferentes formas de exercício de cidadania e de descidadanização.

Confrontos contemporâneos: entre urbanismo de guerra e circuitos de sobrevivência

Pedro Cláudio Cunca Bocayuva (UFRJ)

O regime de exceção e guerra híbrida contra as multidões das favelas e guetos acaba por ser incapaz de gerar uma saída estabilizadora para o “Estado do Mundo”, trazendo explosividade e gerando a batalha por afetos. Formular a questão desde um diagnóstico preciso da cena sugere uma disposição de fazer cidade, de gerar possibilidades de organizar sociabilidades alternativas.

 

16:00 – 17:00 — Pausa café

 

Mesa 5 — Da resistência à remoção de favelas a Junho de 2013: balanço crítico em dois livros | 17:00 – 19:00

Giuseppe Cocco (UFRJ), Alexandre F. Mendes (UERJ), Adriano Pilatti (PUC-Rio) e Carolina Salomão (LABTeC, UFRJ)

A palestra propõe um balanço crítico do decênio 2007–2017, inclusive a partir dos livros A resistência à remoção de favelas no Rio de Janeiro (Mendes; Cocco, 2016) e Vertigens de Junho (Mendes, 2018). O objetivo é analisar as formas de organização, ação política e produção do comum que emergiram nesse período, situando-as no limiar entre impasse e criação.

 

Livros a serem apresentados ao longo do seminário

Autor(es)LivroEditora / Ano
William BuenoPoder, Cidade e Mercadoria. A disputa pelo espaço no Rio de Janeiro OlímpicoAppris, 2026
Barbara Szaniecki e Giuseppe CoccoO Making da MetrópoleRioBooks, 2021
Barbara SzanieckiUma Floresta de ImagensRioBooks, 2025
Alexandre Mendes e Giuseppe CoccoA luta contra as remoçõesRevan, 2016
Alexandre MendesVertigens de JunhoAutografia, 2018

 

 

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Data e hora

04/09/2026 - 09:00 Até
04/09/2026 - 18:00

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