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Fui demitido porque saí da senzala

Por Célio Gari, no círculo de cidadania RJ, em 29/4/15

terceirização

Trabalho há 15 anos na Comlurb no final de abril fui demitido. Não fui o único. 77 colegas foram dispensados nos últimos dias. Todos garis que cometeram o “pecado” de exercer o direito de greve, que se organizaram e resolveram se fazer visíveis. O amigo Bruno da Rosa, por exemplo, foi demitido porque ousou responder a um dos gerentes que se portava como um verdadeiro capataz de escravos.

Um dia antes de receber a carta de demissão, eu participei da audiência pública “O direito de greve e manifestação na cidade do Rio de Janeiro” (vídeo de minha fala: http://tinyurl.com/lwghlv4). Foi minha primeira vez na Câmara dos Vereadores e motivo de orgulho. Vesti o uniforme da Comlurb e falei da dignidade de ser gari, trabalhador da limpeza, do meio ambiente e da saúde. Falei das conquistas que tivemos recentemente, mas também das retaliações. Falei do esforço de auto-organização da categoria e de discussão pela cidade que queremos, apesar das dificuldades impostas pela empresa, a prefeitura e o próprio sindicato, nenhum desses nos representam.

Garis, ativistas e professores são três categorias que vêm sofrendo repressão na cidade. Estamos sendo perseguidos no trabalho, criminalizados pela polícia, desacreditados por parte da imprensa. O objetivo da prefeitura é terceirizar o gari e quebrar a unidade dos trabalhadores. Fala-se muito em terceirização, mas ela já está bem avançada.

O Rio de Janeiro, esta cidade linda, festiva, está passando por um período muito complicado de perseguições. Não se respeita mais nenhum direito. Mesmo a lei proibindo retaliações ao exercício de greve, fomos atropelados. Eu fui demitido mesmo tendo sido cabeça da chapa de oposição, nas últimas eleições para o sindicato. Infelizmente, a escravidão e a ditadura ainda não acabaram pra muita gente.

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