Planejamento estratégico, neodesenvolvimentismo e ruínas urbanas

Das promessas de modernização às ruínas do desenvolvimento

Sobre o eixo

Este eixo analisa criticamente as políticas de planejamento estratégico e os grandes projetos de investimento implementados no estado e na metrópole do Rio de Janeiro nas últimas décadas, situando-os no contexto do chamado neodesenvolvimentismo brasileiro e de sua inserção subordinada na economia global. A pesquisa parte da constatação de que, longe de promover desenvolvimento sustentável e integração territorial, esses projetos produziram infraestruturas incompletas, subutilizadas ou socialmente regressivas, deixando como legado territórios fragmentados e marcados por ruínas materiais e institucionais.

O eixo toma como estudo central o Porto de Sepetiba (atual Porto de Itaguaí) e seus desdobramentos logísticos, em especial a construção do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Esses empreendimentos são analisados como expressões de um modelo de desenvolvimento orientado pela circulação global de mercadorias, commodities e capitais, no qual o território é concebido prioritariamente como suporte técnico para fluxos externos. A pesquisa reconstrói o contexto político e institucional desses investimentos, evidenciando a articulação entre Estado, grandes corporações, consultorias internacionais e elites locais na formulação dessas estratégias.

As análises demonstram que tais projetos se apoiaram em premissas frágeis: a superestimação da capacidade do Rio de Janeiro de se afirmar como hub logístico global; a desconsideração das condições reais da hinterlândia regional; e a crença de que grandes obras de infraestrutura seriam, por si só, indutoras de desenvolvimento econômico e social. No caso do Porto de Sepetiba, evidencia-se o descompasso entre o desenho original — voltado para cargas de alto valor agregado — e sua efetiva operação, fortemente dependente do escoamento de commodities minerais, com impactos limitados sobre o desenvolvimento local e metropolitano.

O eixo também analisa os efeitos territoriais e sociais desses projetos, destacando processos de fragmentação urbana, deslocamento de populações, degradação ambiental e precarização das relações de trabalho. Nesse contexto, a noção de ruína urbana é mobilizada não apenas como metáfora, mas como categoria analítica capaz de revelar os efeitos materiais e políticos do fracasso das promessas de modernização. As ruínas tornam visível a distância entre o discurso desenvolvimentista e a experiência concreta dos territórios afetados.

Como resultados, o eixo produziu relatórios, artigos e análises que contribuem para uma crítica fundamentada ao planejamento estratégico como modelo hegemônico, para a compreensão dos limites estruturais do neodesenvolvimentismo fluminense e para a formulação de ferramentas analíticas capazes de pensar desenvolvimento, infraestrutura e metrópole a partir de seus impasses e contradições. Ao articular economia política, história urbana e leitura territorial, o eixo oferece uma contribuição central ao projeto Interfaces, ao mostrar como o desenvolvimento contemporâneo frequentemente reinscreve desigualdades sob novas formas, produzindo territórios marcados pela promessa não cumprida.

Produções

Interfaces Legados Ruínas

A década pós-olímpica: revisitando os “Legados Urbanos” no Rio de

Coordenação: Clarissa da Costa Moreira Pesquisadores: Guilherme Rodrigues, Clarissa Moreira, Beatriz Corbacho   O Rio de Janeiro foi palco de.

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