Trabalho, proteção social e tecnologias digitais

Capitalismo digital e o desmonte da proteção social: tecnologias, controle e resistências

Sobre o eixo

O eixo Trabalho, proteção social e tecnologias digitais investiga as transformações recentes das políticas sociais no Brasil, analisando como a digitalização dos serviços públicos, dos sistemas de gestão e dos mecanismos de acesso a direitos tem reconfigurado profundamente as relações entre Estado, trabalho e proteção social. Parte-se da compreensão de que a introdução massiva de tecnologias digitais nas políticas sociais não constitui um processo neutro de modernização administrativa, mas um elemento central da racionalidade neoliberal contemporânea.

As pesquisas reunidas neste eixo examinam a transição do Estado social para formas ampliadas de gestão digital, controle e vigilância, nas quais a proteção social tende a ser deslocada da esfera pública para o mercado e para a responsabilização individual. Nesse contexto, instrumentos como o CadÚnico, o aplicativo Meu INSS, sistemas de teleatendimento, cadastros biométricos e cruzamentos automatizados de bases de dados passam a operar como dispositivos centrais de triagem, controle e restrição do acesso a benefícios, frequentemente em detrimento das populações mais vulneráveis.

O eixo analisa empiricamente os efeitos dessa digitalização sobre os usuários das políticas sociais e sobre os próprios trabalhadores do serviço público, em especial assistentes sociais e profissionais da seguridade social. Destacam-se processos de intensificação do trabalho, reorganização das rotinas institucionais, redução do atendimento presencial, metas de desempenho e ampliação de formas de gestão à distância, que impactam tanto a qualidade do serviço prestado quanto as condições de trabalho desses profissionais.

A partir de dados oficiais, marcos legais recentes e experiências de formação e extensão universitária — como o curso “Trabalho, proteção social, saúde e meio ambiente hoje: disputas, limites e perspectivas” —, o eixo evidencia a contradição estrutural entre a ampliação do uso de tecnologias digitais e a persistência (ou aprofundamento) das desigualdades de acesso. Embora a maior parte das requisições de benefícios parta de populações de baixa renda, são justamente esses grupos que enfrentam maiores dificuldades de acesso à internet, aos dispositivos digitais e ao domínio das interfaces tecnológicas exigidas pelo Estado.

Ao articular economia política, sociologia do trabalho, serviço social e crítica da tecnologia, este eixo sustenta a hipótese de que a digitalização das políticas sociais tem funcionado como um dispositivo de administração da pobreza, contribuindo para a contenção dos gastos sociais, a filtragem dos beneficiários e a manutenção de patamares mínimos de redistribuição da riqueza. Assim, a tecnologia aparece não apenas como ferramenta de gestão, mas como campo estratégico de disputa entre direitos sociais, democracia, privacidade e justiça social.

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