Aceleracionismo: um simpósio sobre as tendências do capitalismo

A UniNômade Brasil publica a chamada traduzida para o simpósio que será realizado em Berlim, em 14 de dezembro, sob curadoria de Armen Avanessian e Matteo Pasquinelli. Sobre o aceleracionismo, vale ler primeiro de tudo o Manifesto Aceleracionista, por Alex Williams e Nick Srnicek, de 13 de maio deste ano, traduzido e publicado neste site.

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O capitalismo contemporâneo é um objeto de alta abstração. O simpósio é um convite para discutir e desdobrar as tendências interiores e anônimas do capitalismo, estudar suas vísceras energéticos, algorítmicos e monetários. Como se pode apreender as pulsões vivas dos mercados financeiros e da inovação tecnológica? E mais importante: quem realmente produz e controla essas pulsões, e como algum sujeito político alternativo poderia emergir sem tal conhecimento complexo?

O debate recente sobre o aceleracionismo na cena filosófica do Realismo Especulativo apenas recorda uma antiga questão colocada por Deleuze e Guattari: qual é realmente a via revolucionária? Retirar-se do mercado mundial ou, ao contrário, ir além e “acelerar o processo”, como Nietzsche já havia sugerido muito antes do corrente impasse? Por exemplo, a Alemanha hoje se vê no olho do furacão: uma democracia ligeiramente social no centro da Europa assistindo ao neoliberalismo devastar livremente o resto do mundo.

Existem múltiplas estratégias sobre como cruzar a tempestade. No primeiro e profético romance de Ballard O mundo submerso (1962), um desequilíbrio na radiação solar causa o aumento das temperaturas globais e o derretimento das calotas polares, deixando as cidades submersas em lagoas tropicais, onde a flora e a fauna recomeçam sua evolução. A população humana migra ao norte dos círculos polares. Em vez de se perturbar, o protagonista fica fascinado pela nova natureza que está substituindo o velho mundo e resolve rumar ao sul em direção ao sol.

Embora enjaulados no capitalismo cognitivo, nós clamamos por uma aceleração epistêmica. O simpósio intima uma renovação da cartografia das palavras-chave empregadas nos últimos séculos para descrever a economia, e a resposta política a ela: desenvolvimento, progresso, crescimento, acumulação, pico, decrescimento, especulação, entropia, singularidade, sustentabilidade, e assim por diante. Hoje é a hora de antecipar e acelerar, com certeza, hora de anastrofismo e não catastrofismo.

Site oficial: http://xlrt.org/


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